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Mensagens

Convidado de Honra nº 7 - José Farinha e "O Inimigo sem Rosto"

Entrevistei para o Gimmicky José Farinha sobre a sua primeira longa metragem "O Inimigo sem Rosto". Fala-nos, sem reservas, dos sucessos e obstáculos que enfrentou no projecto e no panorama do cinema português em geral. Porquê o atraso na estreia do filme? A este respeito, que obstáculos se levantam, na tua opinião, à estreia de mais filmes portugueses na nossas salas? É uma questão pertinente que me transcende mas que tem a ver com a burocracia institucional. Esta pergunta deveria ser colocada ao ICA (Instituto do Cinema e Audiovisual) e à produtora TAKE 2000. Um realizador sente-se de mãos e pés atados quando estes atrasos surgem. O que se torna desmotivador... mas o filme não perde força graças à temática - poder, fraude e corrupção em Portugal - 5 anos para trás ou 5 anos para a frente não conseguem desgastar o filme. Aposto que daqui a 5 anos continuará actual porque demoramos muito tempo a modificar a sociedade e a Justiça é muito lenta. Foi rodado entre Novembro e Dez...

Convidado de Honra nº 6 - Fernando Galrito, programador do "Monstra"

Entrevistei para a revista " Take " Fernado Galrito, programador do festival de cinema de animação " Monstra 2010 ", sobre o evento deste ano, que se passou de 11 a 21 de Março. Aprendi imenso sobre uma efervescente área do cinema para a qual não estou propriamente vocacionado. Começava por lhe pedir um enquadramento desta edição do Monstra. Dois ou três aspectos marcam esta edição. O Monstra faz 10 anos de idade. Foi o primeiro festival da cidade. Todos os anos pomos enfoque numa cinematografia convidada. Quando nascemos invocamos os 500 anos do “achamento” do Brasil focando a cinematografia brasileira. Aproveitando o ensejo da celebração dos 100 anos da República este ano voltamos à língua portuguesa tendo como “país convidado” Portugal. Fazemos, para celebrar os 10 anos, o festival em 10 dias recordando cada um dos países já homenageados, ao contrário dos habituais 8 dias de duração. Num primeiro bloco, de 11 a 14 de Março, faremos retrospectiva do cinema de anim...

Alguns dos Filmes da Minha Vida nº 4 - A Última Hora de Spike Lee

É um dos filmes que mais me marcou! Pela consistência do seu tom: intenso e pungente. Imerge-nos totalmente na amargura de "Monty Brogan" (Edward Norton) nas 24 horas que precedem a sua ida para prisão. Vários elementos concorrem para esse efeito. A espectacular banda sonora do multi premiado Terence Blanchard contribui para essa carga não dando, desde o genérico inicial, qualquer trégua a quem a ouve. O casting, que Spike Lee assume vital no seu método, é, neste filme, mais um elemento enorme de credibilidade. A sexy e terna Rosario Dawson; o grande Brian Cox como pesaroso pai irlandês; o inadaptado e adolescente Seymour Hoffman; Barry Peppar como yuppie calejado e impermeável e o sempre magnético Edward Norton no papel principal, são escolhas perfeitas! Todas as personagens secundárias parecem partilhar alguma da desorientação do seu protagonista e acentuam, nos seus trémulos percursos, a precariedade emocional da situação...de não ir a lado nenhum. O tempo que se esgot...

"Bobby Cassidy" de Bruno Almeida. He could have been a contender!

Bobby Cassidy é uma personagem de enorme mística que praticamente "faz o filme" tal a vivacidade das suas histórias. É um excelente e auto-reflexivo contador de histórias que remete a realizador para um papel de mero observador. A clareza da sua auto narrativa atinge o seu pico emocional numa sofrida e sincera imitação de Brando no célebre “i could have been a contender” de “Há Lodo no Cais”. É o ponto mais alto da sua lucidez, tal é a sua clareza auto-biográfica e a assunção da sua maior mágoa: nunca ter tido uma oportunidade de competir pelo título mundial de pesos médios. O filme deixa a sua personagem mostrar-se sem artifícios- o grande mérito de Bruno Almeida. O tema do “beast in me” tão presente em filmes de pugilistmo como “Raging Bull” e “Million Dollar Baby” é sempre o apelo destas personagens trágicas que lutam contra o demónio interior que infâncias e histórias de vida disfuncionais trazem. É um documentário que funciona bem dentro das suas limitadas ambições. Porq...

Somos o que Gostamos

"Eu Sou o Amor" é pura sedução! Poucos filmes combinam uma análise formalmente perfeita das personagens e suas relações (de poder e conformidade) e o universo de emoções e sensações do seu protagonista. Tilda Swinton é incrível como nos convence da sua conformidade aristocrática num primeiro momento mas também como nos mostra em doses ideiais a tensão que os eventos desencadeiam: algo de primário abala o universo e a rigidez do seu papel matriarcal. Uma série associações espontâneas tornam difusa a linha entre a realidade e a projecção mental e fazem-nos mergulhar nos recantos mais obscuros da identidade mas apenas nos sugestionando, não elucidando. É a contenção de costumes tão primorosamente mostrada no primeiro terço do filme que faz voar a libertação e exaltação dos sentidos que a chegada de um novo elemento (um cozinheiro) despoleta. Da comida, à religião, às cores e odores rurais, ao apelo cru e sem artifícios de um homem...somos levados magicamente à encruzilhada exis...

O Paradoxo HBO

A série "Sexo e a Cidade" já tinha algumas das pirosices que os filmes exacerbaram como o culto do status e ostentação e uma noção parola de requinte (o namorado francês de Carrie interpretado por Barishnikov é o cúmulo). Mas tinha o mérito de legitimar a sexualidade feminina descomplexada e até feroz com Samanta Jones. Quatro amigas que se juntam a falar de sexo pelo sexo, fosse romance ou chavascal...tal qual um homem! Quanto aos filmes se o primeiro era mau, este segundo é pouco demais. É um TVShop com um arremedo de enredo. A emancipação sexual é tratada de forma estúpida e desonesta e até o sexo foi suavizado para ampliar públicos-alvo com traços de "filme da família". Curioso o paradoxo que a HBO nos apresenta e que trai o seu legado: foi incubadora, na televisão, da libertação formal e uma linguagem sem compromisso - marcadamente cinematográfica - e agora dá-nos, na sua transposição para o cinema, um produto estéril e formatado - tipicamente televisivo.

Crise de Identidade

De vez em quando vou ver cinema português. Neste caso fi-lo por diversas razões: por ser o primeiro filme estreado nas salas totalmente financiado por privados e por ter tido eu próprio uma ideia de curta metragem igualzinha a este "Funeral à Chuva" - reencontro de amizades desavindas num cenário de perda e suas inerentes e espontâneas revelações/tensões. Mas...mais uma desilusão. As personagens são banalíssimas. O gay, a actriz frustrada que se dedica a concursos televisivos, o bronco, o viajante diletante, o austero professor universitário (é mesmo esta inconsequente e exagerada personagem do mórbido bimbo da Covilhã e seu absurdo arco de libertação que mais ferem de morte este filme)... Quer ser um "Amigos de Alex" à portuguesa mas o resultado é (como sempre) bem à americana. Na realidade, as convenções de género parecem-me mal assimiladas no cinema em Portugal. Obedece-lhes mas nem as consegue concretizar. Como a maior parte do que cá se faz este filme tem a sin...