quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Blogoesfera Cinéfila nº 4 - Café 1935



Deixo-vos mais uma sugestão de blog. Este um mixed media de tributo a diversas fontes de inspiração, sobretudo filmes, publicidade e música de outros tempos. De realçar um carinho especial dedicado ao filme noir. É um blog muito bem pensado e cheio de substância e apelo visual.

http://cafe1935.wordpress.com/

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Cenas das Nossas Vidas no CinAlfama


O cineclube CinAlfama tem o prazer de convidar todos os que queiram para no dia 4 de Dezembro pelas 21:30 aparecerem na Adicense para mais uma memorável noite!

Desta vez a ideia é que todos apresentem a cena das vossas vidas (enviem-me o link do youtube) e um comentário pessoal sobre a importância e significado pessoal e emocional da vossa escolha. Está associada a algum período ou episódio das vossas vidas? A alguma história curiosa? - enviem estes elementos para almeidagomes@netcabo.pt - garanto-vos a máxima discrição;))

As cenas irão ser projectadas e os comentários lidos por um leitor aleatório, preservando-se o anonimato das contribuições.
A ideia é partilhar imaginários! Perceber territórios comuns mas também singularidades e, ao mesmo tempo, o que o cinema tem de revelador e auto-reflexivo.

Depois disso a festa continua com comida, bebida e música, com especial destaque para temas de filmes e bandas sonoras!!

Para info sobre o cineclube e sua localização ir, por favor, a http://cinalfama.blogspot.com/

As 20 coisas que mais gosto no Cinema

. a androgenia de Marlene Dietrich

. o final de "The Conversation" do Copolla

. a fotogenia desarmante da Juliette Binoche

. os olhos da Cate Blanchet

. o negrume da Jennifer Jason Leigh

. Brando

. a câmara e sua dança nos filmes do Scorsese

. fotografia nos filmes do Wong Kar Wai

. Os zig zag's consequentes de Charlie Kaufman

. a perfeição feita filme no The Godfather

. tensão de James Dean

. coragem e independência do The Wrestler

. a velhice como idade da descoberta em Clint Eastwood

. inquietude sem compromissos de Orson Welles

. eco eterno de um diálogo do Tarantino

. o espanto e mistério de um filme de Kubrick

. a beleza na simplicidade em filmes como Lost in Translation

. auto-ironia em geral, a exposta e sofrida de Woody Allen em particular

. galã que distila com subtileza seu magnetismo e sex apeal. Exemplo supremo:Paul Newman!

. filmes que atacam o vazio como Mystic River

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

CinAlfama - Novo Cineclube



Tenho um novo projecto que arrancou há um par de semanas que aproveito para divulgar! É o CinAlfama (http://cinalfama.blogspot.com)! É um Cineclube que criei na zona de Alfama. Vou tentar que ele se distinga pela sua originalidade temática e interactividade! Toda a gente pode sugerir ciclos e filmes! Vale tudo: “insanidade no cinema”; “esqueletos no armário”, tudo o que seja pessoal e original pode ser o fio condutor das nossas escolhas fílmicas.

O arranque foi no dia 25 de Setembro com o tema "Viagens". Uma sessão em que foi projectada, ao ar livre, a intemporal curta de Georges Méliès "Viagem à Lua" acompanhada em sincronia por um guitarrista profissional da Hungria (www.sandormester.com) e completada com o excelente filme de Martin Macdonagh "In Bruges"!

Na próxima 4ªfeira dia 14, nova sessão e com dose dupla! Desta vez o tema é "Heróis Caídos em Desgraça"! "Rocky Balboa" e o "The Wrestler" são os filmes escolhidos.

Vejam toda a info em http://cinalfama.blogspot.com

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Convidado de Honra nº 5 - Jorge Vaz Nande e "As Portas"



Jorge Vaz Nande é colaborador das Produções Fictícias, onde, entre outras funções, gere os conteúdos do blog da empresa. É argumentista da empresa de conteúdos "Bode Expiatório". Fala-nos de várias questões relacionadas com o cinema e guionismo e, em particular, do seu último e original projecto "As Portas".

Na tua colaboração com o Bode Expiatório: o trabalho que fazes tem sido feito sobretudo em equipa?
Sim, num processo de colaboração e discussão que muitas vezes se estende da equipa criativa até às de produção e artística.

Quando trabalhas em equipa, como se gerem diferentes sensibilidades? Quando várias ideias estão na mesa qual costuma ser o processo de decisão?É primordial que os participantes num brainstorm se dêem bem e tenham respeito mútuo pelas ideias de todos. A partir daí, a discussão das soluções criativas faz-se de comum acordo, tendo em conta a sua exequibilidade e eficácia.

Existe alguma hierarquia criativa ou todas as vozes são iguais?
Todas as ideias boas são postas em prática, venham elas de quem vierem.

O mercado de trabalho para guionistas como tem evoluído?
O surgimento no mercado de certos canais de cabo com programas sem argumento é um dos maiores incentivos ao reconhecimento da necessidade de argumentistas.

A técnica da escrita é algo que se interioriza e se torna segunda natureza, ou relembrá-la é ainda, para ti, uma necessidade?
O domínio da técnica, que vai do software informático próprio até ao conhecimento dos princípios da progressão dramática, é o que distingue um verdadeiro argumentista de um simples diletante, tal como em todas as profissões: eu posso conseguir resolver um problema no motor de um carro, mas se desconhecer o nome e funcionamento interno dos componentes, não souber usar ferramentas próprias e não for actualizando o meu conhecimento à medida que vão saindo novos modelos de automóvel, nunca serei um verdadeiro mecânico.

Dá-me um ou dois filmes da tua vida.
"Talk Radio"



O teu projecto As Portas: fala-nos um pouco dele.
"As Portas" foi um desafio de escrita e de produção. Qual a estrutura de uma série interactiva? Como se alia a progressão das personagens à possibilidade de o espectador construir a própria narrativa? Um projecto em que todos deram o máximo e, em tempo recorde, fizeram um excelente produto audiovisual.

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

O Dia da Saia e os Chicos-Espertos




O “Dia da Saia” é um autêntico tratado de inconsequência e desonestidade intelectuais. Padece de quase todo o tipo defeito. É antónimo de subtileza e uma compilação de parvoices.
Um filme do Adam Sandler, por exemplo, cumpre o seu propósito. É, invariavelmente, mauzinho (excepção ao Punch Drunk Love em que o seu typecasting de retardado serve bem o filme) sem jamais se arrogar de ser bom. Mas depois há estes chicos-espertos que pensam poder agarrar em temas desta complexidade com o simplismo de um episódio da Rua Sésamo.

Uma professora, de uma problemática escola suburbana de Paris, numa tentativa tresloucada de restaurar a sua autoridade e amor próprio apodera-se de uma arma que um aluno trazia na mochila. Recusando-se a devolvê-la impõe a sua lei e as suas, sempre desprezadas, regras pedagógicas. Os media extrapolam sobre a génese sócio-política deste tipo de episódio, os políticos perseguem as suas agendas pessoais, toda a gente diverge sobre o que se passa naquela sala sitiada, pondo a nú uma gama grande de tensões.
O pano de fundo é o republicanismo francês e a quase “religiosa” laicidade do seu sistema escolar. Tudo é metido ao barulho neste filme! Um cocktail de clivagens étnicas e discriminação de género.

Isabelle Adjani é, no papel de professora, das coisas menos credíveis que já vi. Numa tentativa de credibilizar o seu acesso de loucura, a dinâmica, as disfunções da turma e toda a tensão a que está sujeita são expostas a uma velocidade vertiginosa e de forma super- exagerada, quase caricatural. Todo aquele drama se confunde com a comédia, de facto!
Os ganchos da história são de gritar. Um twist atrás do outro. Ora uma miúda argelina pega no revólver como catarse de uma pesada infância, ora um miúdo brutalizado faz o mesmo. As partes oprimidas são assim convidadas pelo guionista, com este dispositivo, a sairem da obscuridade expondo um rol de maleitas sociais.


Este filme combina todinhos os clichés dos filmes de escola – com um autista tom de naturalismo e análise social; mas também dos filmes de reféns – lá estão os negociadores divergentes, um deles o abrutalhado para quem “isto era chegar lá e entrar a matar” e um outro que por razões pessoais (tão estupidamente apresentadas) se identifica emocionalmente com a “terrorista”; os sensacionalistas media (o vox populi captado é de ir às lágrimas, lá está o chinesinho e a muçulmana a digladiarem-se com acusações de preconceito;); o maquiavélico político; o familiar demovedor...enfim...um festim!


Desafio-vos a ver este filme e a discordarem de mim quando digo que é do pior que vi em anos!

domingo, 20 de Setembro de 2009

A Música dos Diálogos no Mundo de Quentin



David Lynch diz que cada papel terá 5 ou 6 actores que o podem fazer igualmente bem, mas que há sempre um ideal. Ou seja, que poderão existir 5 ou 6 excelentes potenciais performances mas que todas serão diferentes. Diz que, um pouco como na música, a mesma peça tocada com uma flauta ou com um trompete pode sempre oferecer algo de maravilhoso mas completamente distinto, duas direcções diferentes. Compete ao realizador escolher a sua via.
Lembrei-me desta opinião quando ouvi Quentin Tarantino a falar do seu excelente filme Inglorious Basterds. O processo de casting, dizia ele, foi um desafio de muitos meses pois procurava não só a necessária fluência multilingue nos seus actores mas também a necessária poesia nessa fluência: a tal música que Lynch falava e que só um escritor de diálogos prodígio como Tarantino consegue antecipar aquando da escrita.
O seu fetiche "dialoguista" enfatiza a tal musicalidade que se completa, porém, na vida própria que um determinado actor lhe empresta. A austeridade da língua alemã representaria um enorme desafio ao tal desejado "calor" rítmico das palavras. Solução: o já mítico Coronel Hans Landa representado pelo Christoph Waltz! Um tiro de casting miraculosamente certeiro: o tal homem que domina três idiomas e todos eles com uma graciosidade adequada à sua implacável mas cortês personagem.

É o próprio actor que fala do seu enorme e bem sucedido desafio:



A erudição dos Cahiers du Cinema classificou, sem desdém nem soberba intelectual, Tarantino de realizador inculto. Na medida em que as suas revisitações de géneros fílmicos são feitas com um enciclpédico conhecimento da história do cinema mas sem preocupações reflexivas.
Na minha opinião Inglorious Basterds parece-me representar a expressão máxima da sua cinefilia. Já vai além do tal mergulho estético num dado universo de estilo ou a recuperação subversiva (mas respeitosa, quase com vénia) de um género ou época do cinema - é a própria problematização do cinema e seu poder. A imagem é o actor principal do filme. Mergulhar em Riefenstahl e no culto da imagem no regime Nazi é do que mais ambicioso e problematizante fez.
Mas se no conteúdo vai mais longe, é na sua forma que Tarantino se torna um pouco prisioneiro de si mesmo. Como inovar depois da vertigem e assombro de Cães Danados e Pulp Fiction?! O que consegue é mais alguns espantosos picos de qualidade que ficam para a história do cinema dos quais a primeira cena do filme é a mais marcante! Este filme está bem acima da auto-referenciação desinspirada de Death Proof mas também não é a pedrada no charco que outros foram. Mas também...a fasquia é muito alta;)