O dispositivo encontrado para o tal Caos Calmo é um pátio em que o pai, ausente no momento da morte da sua mulher, espera diariamente, em contrição, à porta da escola da sua filha que ela termine as suas aulas. É nesse pátio que uma série de interacções urbanas e impessoais se vão gradual e credivelmente estreitando. Ali tudo se passa devagar longe de um quotidiano triturador que não dá tréguas. Ali vai Moretti tentar enfrentar os seus fantasmas, digerir o fim abrupto de uma relação. Não o consegue de imediato. Encontra uma inesperada dificuldade em deixar que a tristeza se impregne. Ele luta com um “luto encravado”, uma tentativa de fuga à dor e à dureza do “seguir em frente”, criando manias e um universo pessoal de segurança – o tal pátio e a proximidade constante da filha. A excelente cena com Roman Polanski e a surpreendente atitude libertadora e comovente da filha dão, no final do filme, o mote para a aceitação da dor…como começo, como vida, como elemento vital de progresso pessoa...