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Mensagens

Música Narrativa - nº1 - Neil Young e Dead Man

Seria impossível o Gimmicky passar ao lado da música nos filmes. Procurarei na minha selecção os melhores exemplos de narratividade musical. Aqui fica o primeiro exemplo. Do inqualificável "Dead Man" de Jim Jarmusch chega-nos esta fantástica banda sonora composta e tocada por Neil Young. As citações do filme patentes no vídeo dizem bem da simbiose perfeita entre o ritmo, tom e a música das imagens. Arrastada, austera mas com vida própria! Enjoy!

Blogosfera Cinéfila nº 1 - Grindhouse

Resolvi mergulhar a fundo na blogosfera cinéfila. Tenciono conhecer e apresentar aqui no Gimmicky alguns exemplos de interesse, qualidade e originalidade desse enorme e crescente universo. O primeiro destaque vai para o blog Grindhouse - cinema da meia-noite.(http://grindhousetheater.blogspot.com/). Apesar de não ser particular adepto do género que dá nome ao blog dei por mim a pesquisar atentamente os seus conteúdos: sinal evidente do seu interesse. Os blogs "especializados" como este são envolventes por falarem de um interesse muito particular, de uma paixão do seu criador. Respondendo aos que (como eu) tenham uma visão estereotipada e simplista do género fílmico alguns dos seus textos arrasam as inconsistências estruturais de alguns filmes gore deixando bem vincado que este tipo de objectos não é narrativamente primário, impondo o devido respeito! A génese e evolução sócio-política do horror e exploitation está muito bem documentada em interessantes e aprofundados artigos...

Convidado de Honra nº1 - A Distribuição Cinematografica e o Guionismo - Entrevista a Jorge Dias da Vitória Filmes

Pedi a Jorge Dias da Vitória Filmes para nos descrever um pouco a sua visão sobre contexto actual do audiovisual português com especial enfoque da relação do sector da distribuição com o guionismo: De que formas vos são propostos filmes a distribuir? Com que frequência tomam a decisão na compra dos seus direitos com base num guião? Os filmes são nos propostos em várias fases da sua produção, desde a fase em que só existe um guião, até à última fase, em que o filme está pronto para ser exibido. A decisão na compra dos direitos com base num guião ocorre por diversas vezes, sempre nos mercados que se realizam para o efeito, sendo os principais, Berlim, Cannes e Los Angeles. Nos casos em que isto acontece, que critérios concorrem para a respectiva selecção? Que procuram num guião? O principal critério que temos em conta ao ler um guião prende-se com a qualidade do mesmo. Apesar de ser um critério bastante subjectivo, fundamentamos as nossas escolhas recorrendo a análises do histórico do...

Charlie Kaufman de volta!

O grande Charlie Kaufman (Eternal Sunshine of a Spotless Mind; Adatpation...) descreve-nos as suas ideias sobre a escrita e a vida... Refere o cinema como um "media morto": se as nuances e inflexões são a quintessencia do teatro, já ao cinema, enquanto objecto estático, é-lhe exigida a introdução de camadas de informação que ofereçam diferentes experiências a cada visionamento. É essa a sua batalha e a sua singularidade. introduz-nos ao seu mais recente trabalho, Synecdoche, agora como escritor/realizador, e fala das dificuldades que este novo estatuto lhe apresentou: lutando para que o pragmatismo do realizador não espartilhasse o fluxo criativo e imaginação do escritor. Kaufman é dos mais intelectualmente desafiadores guionistas americanos. Em diversas entrevistas, como a que acabamos de ver, refere a dificuldade cultural do escritor em derrubar convenções narrativas e uma determinada e monolítica estrutura do "filme americano". Em Adaptation (um dos meus filmes p...

Veneno Cura - tom negro

Personagens limite com tom negro e existencialista ou filme comercial americanado e muito mau – parece ser esta sina polarizada (egocêntrica ou publicocêntrica) do cinema português. Permanece a lacuna: filmes bons que falem ao público. Veneno Cura foca o lado sofrido e obscuro das suas desesperadas personagens sem uma noção de história. Entrega-se antes a uma pretensiosa veia negra. O tema é a filiação. A asfixia existencial que começa e acaba na maternidade. Mas a fraqueza dos diálogos e dos actores não possibilitam que a alta pretensão artística do projecto chegue a bom porto. A falta de verosimilhança não permite uma verdadeira adesão emocional ao filme. De tal forma que os momentos mais poéticos e (supostamente) impressivos do filme não marcam nem resultam (nem mesmo a interessante catarse musical da cena de ópera o consegue). Pormenor positivo é a banda sonora, bastante densa e interessante. De resto alguns esparsos momentos de algum apelo estético e sensorial é o que de menos ma...

Clint Eastwood – A Idade da Sageza

Existe habitualmente associado à velhice um mito da sageza na idade. A sedimentação de certezas e uma relutante gestão da dúvida geram visões e narrativas pessoais definitivas. Costuma ser a fase, por excelência, da rejeição do provisório patente em expressões de senioridade: “já vi tudo”; “já passei por muito”. Clint Eastwood parece chegar à sua sétima década num desencanto desconstrutivista, no auge da sua frescura perceptiva, próprios de quem ainda tem muito que aprender e provar como, de resto, o afirma explicitamente em entrevistas que concede. Por esse motivo aprendi a admirar um realizador que contribuiu para a minha vida com alguns dos melhores filmes que já pude presenciar. De todas as suas pérolas, três dizem-nos bem deste Clint cartesiano disfarçado de clássico: Em Unforgiven parece assumir despudoradamente o quão longínuquo lhe soa a sua fase coboiada. O improvável trio de assassinos expõe-se nas suas fraquezas, na latência da sua relação com o passado e na fragilidade da g...

CAOS Calmo

O dispositivo encontrado para o tal Caos Calmo é um pátio em que o pai, ausente no momento da morte da sua mulher, espera diariamente, em contrição, à porta da escola da sua filha que ela termine as suas aulas. É nesse pátio que uma série de interacções urbanas e impessoais se vão gradual e credivelmente estreitando. Ali tudo se passa devagar longe de um quotidiano triturador que não dá tréguas. Ali vai Moretti tentar enfrentar os seus fantasmas, digerir o fim abrupto de uma relação. Não o consegue de imediato. Encontra uma inesperada dificuldade em deixar que a tristeza se impregne. Ele luta com um “luto encravado”, uma tentativa de fuga à dor e à dureza do “seguir em frente”, criando manias e um universo pessoal de segurança – o tal pátio e a proximidade constante da filha. A excelente cena com Roman Polanski e a surpreendente atitude libertadora e comovente da filha dão, no final do filme, o mote para a aceitação da dor…como começo, como vida, como elemento vital de progresso pessoa...