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Mensagens

Cenas da Minha Vida Nº1 - The Wrestler (cena final)

Darren Aronofsky reservou para a cena final o pico dramático de um filme íntegro que acompanha o irredentível Randy (ou o próprio Mickey Rourke) na sua vã tentativa de estabilização afectiva. É uma composição fortíssima a desta cena. Exemplar como a utilização das escalas e dos planos e ângulos de câmara aproveita até ao tutano o seu enorme potencial emocional. Minutos depois saía da sala de cinema (lembro-me como se fosse hoje) profundamente abananado, no melhor sentido da palavra. http://www.imdb.com/title/tt1125849/

Traição do Legado

Resisti a vê-lo enquanto nos cinemas para não estragar a minha relação estreita com o seu antecessor mas acabei por vê-lo ontem num voo longo que carecia de estímulo. A continuação de "Wall Street" com este "O Dinheiro Nunca Dorme" é a idiotice que esperava. Foi claramente o pretexto político-económico que precipitou Oliver Stone neste projecto e não, de todo, uma noção amadurecida de história e evolução das personagens. Recuperou Wall Street para denunciar os Hedge Funds, não voltou de forma pensada e coerente ao projecto. A este respeito há diálogos que são monólogos e voice overs ultra-explicativos. Stone não quis deixar pitada de fora: que toda a gente perceba o que se passa! É grosseira esta tentação de compêndio! A recuperação desleixada de uma série de elementos do filme de 87 é evidência deste facto. A fotografia, a repetição do datado split screen... A OST de Wall Street era muito 80's e David Byrne (com Brian Eno) já can...

Alguns dos Filmes da Minha Vida nº 5 - Um Homem Singular

Neste soberbo filme um requintado formalismo, próprio de um fotógrafo/estilista, encontra-se com uma rara humanidade e profundidade da história e das personagens. Há "quadros" absolutamente maravilhosos, um festim sensorial, mas também momentos de pura intuição e sensibilidade. É essa sensibilidade que faz que o exercício estilístico não se sobreponha à pungente magia do seu drama. A subtileza que nos enleia com perfeição (na música e na fotografia, por exemplo) num dia de terminal angústia...a mesma subtileza que eleva Colin Firth a uma interpretação histórica, perfeita! Subtileza que Hollywood detesta: um ano depois premiaram-no pelos seus maneirismos, sempre ao gosto do tio Óscar, no anódino "Discurso do Rei"... É um filme extraordinário ao qual voltarei muitas vezes no futuro!

Documentário Português enquanto PTA não chega!!!

De português fui ver nos últimos anos pouca coisa nas nossas salas. Retrospectivando, vejo, sem surpresa, que os filmes que mais me tocaram foram documentários. Vi na mostra "Panorama" de 2010 o arrepiante potencial dramático do som combinado com a imagem estática no maravilhoso "48" ; o histórico testamento vital super sensível do filme "José e Pilar"; recentemente marcaram-me o politicamente incorrecto "Linha Vermelha" de Pedro Filipe Costa e "Quem Vai à Guerra" de Marta Pessoa, um daqueles documentos que ficará bem vivo no nosso imaginário colectivo e respectiva Torre do Tombo . O registo documental tem à partida um evidente compromisso com a realidade. É a sua vocação histórica por mais híbrido e fluida a sua fronteira com a ficção, por mais pós-moderna a sua abordagem. Obviamente que esse compromisso é sempre parcial e subjectivo. Mas a sua ressonância colectiva é potencialmente mais fina. Mas para que se ancore igualmente na noss...

O Tio Boonmee que se lembra das suas vidas anteriores

Um homem, doente em estado terminal, está focado nas suas ligações humanas primárias em fusão completa com a natureza. O espírito da sua mulher volta para cuidar dele e o seu filho, desaparecido há muito, retornando sob a estranha forma de macaco negro de olhos brilhantes. Em busca de explicações para a sua longa vida, Boonmee deambula com a família pela floresta até encontrar uma gruta onde ocorreu o seu nascimento na sua primeira vida... O tio Bonme encara a sua recta final com uma evidente serenidade. A sequência da sua morte é o momento mais forte e impressivo. A câmara está muitas vezes na subjectividade dos espíritos (ou do espectador). Vemos esta "viagem" com tempo, com a solenidade de uma recepção de estado. A cosmovisão do realizador está entre o ingénuo e o perturbador e nessa ambiguidade reside o principal interesse do filme. O trabalho do som e as sombras na escuridão na floresta é uma referência sinistra, já o conforto quase maternal que Bonmee encontra no espíri...

O ensino público de cinema em Portugal - relatório pessoal

Decidido a apostar definitavamente no cinema aos 30 anos, estou numa fase em que rentabilizar o tempo é essencial. Para além dos projectos em que estou envolvido ingressei na Escola Superior de Teatro e Cinema para dar mais um passo neste percurso. Oitos meses volvidos posso dizer que o que encontrei não defrauda nem supera as minhas expectativas nem, de resto, contraria a minha experiência pessoal. A lógica tutorial e responsabilizante de Bolonha colide ainda com a cultura paternalista de que padece o nosso ensino universitário. Na ESTC temos como expoente desse espírito umas burocráticas folhas de presença controlam a assiduidade dos "meninos". Temos testes atrás de testes (teóricos): a antítese da criatividade. As próprias tutorias são muitas vezes meras imposições "despachadas" logo a seguir à aula sobretudo para suprir temas que não são "dados" no comprimido período lectivo normal. Numa inenarrável cadeira chamada "Estética" recuamos ao Kan...

"O Concerto" e o poder aglutinador da música!

Andreï Filipov (Aleksei Guskov), um maestro outrora aclamado cuja carreira havia sido destruída 30 anos antes na era soviética de Brezhnev é agora um contínuo. Surge-lhe contudo a oportunidade única de conduzir novamente uma orquestra com os seus “desconcertados” ex-parceiros musiciais. No teatro Chatelet em Paris fazer-se-á passar por responsável pela célebre companhia Bolshoi e assim conseguir aproximar-se da sua filha violinista Anne-Marie Jacquet (Mélanie Laurent de Inglourious Basterds) de quem a vida se encarregou de separar. O chico-espertismo troglodita dos russos e a sofisticação franciu são explorados um pouco até ao limite da inconsequência numa componente burlesca muito Kusturica, talvez demasiado Kusturica. Nesta parte do filme arrancam-se risotas. Mas é na relação entre Anne-Marie e Andrei que o filme nos ganha. A melancolia de Melanie Laurent é uma boa escolha para uma personagem de olhos doces mas tristes e incompletos. Um dos aspectos interessantes do filme é a forma ...