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Maradona – Diego o Punk!?

Um documentário é sempre uma leitura emocional e pessoal de um determinado universo e as suas fronteiras são sempre relativas e pessoalmente construídas. Mas pede-se-lhe que seja fecundo no seu olhar para que seja consequente. A caricatural e cansativa incursão que o filme faz pelo culto da igreja Maradoniana casa bem com o tom geral do filme: todo ele é idólatra. Paira sobre o seu objecto de fascínio ao seu sabor, como se suas palavras fossem divinas, sem contraditório nem polémica. O deleite pueril com que documenta o seu ídolo faz também com que o eixo condutor seja cronológica e tematicamente altamente confuso. É com a leitura marxista da nobreza aristocrática dos pobres (na Argentina como nos Balcãs) que Emir se funde com a Diego O Insurrecto: “personagem” criada para este filme: Maradona o defensor da auto-determinação latino-americana (imagine-se!). Ambos excêntricos; dionisíacos (como referiu em Cannes); ambos ricos de espírito. Mas, na realidade, é fastidioso ouvir o festival ...

O Wrestler - realidade sem sumo

De vez em quando aparece um filme assim, que nos deixa abananados! Aconteceu-me ontem! Fui ver O Wrestler. Há raros e mágicos momentos em que o cinema e a vida se fundem. Neste caso a afinidade emocional entre o protagonista e Mickey Rourke é mágica. Faz um filme(já excelente) transcender-se. É um papel emocionante e corajoso o dele. De alguém que supera uma fase obscura da vida e decide culminar sua catarse à frente de todos. Mostra a sua cara o seu corpo desgastado. Mostra as suas fraquezas pessoais, assume os seus erros. Está bem presente no filme o choque entre os dois papeis sociais do seu protagonista. Quando a sua vida íntima e familiar fracassa, refugia-se na persona wrestler Randy the Ram (no filme recusa frequentemente que o tratem pelo seu nome civil). De resto, também a brutalidade das cenas de lutas colide com as expressões de carinho e respeito que merece dos seus colegas de profissão - a única constante afectiva da sua vida. Como se a realidade não tivesse sumo que cheg...

Blogosfera Cinéfila nº 2 - Paixões e Desejos

A segunda sugestão blogista do Gimmicky é o Paixões e Desejos (http://paixoesedesejos.blogspot.com). Este blog traz-nos um universo mais amplo de recensão artística. A sua excelente frase de apresentação dá o mote: UM DESEJO CHAMADO CINEMA: A MEMÓRIA DA 7ª ARTE REVISTA ATRAVÉS DOS FILMES. OS CINEASTAS, OS ACTORES E AS CINEMATOGRAFIAS.MAS TAMBÉM OS LIVROS E A MÚSICA PASSAM A MORAR NESTA CASA CHAMADA PAIXÕES E DESEJOS, PORQUE SÃO ELES OS MELHORES AMIGOS DO NOSSO PEQUENO UNIVERSO. Existe há três anos e neste período conseguiu reunir uma enorme diversidade de análises de obras e cineastas tão variados como De Palma, Mizoguchi; Lean; Chabrol; Chaplin; Hawks; Tati...uma lista enorme de notáveis! Os seus autores dão-nos reflexões aprofundadas e enriquecedoras sobre cada um deles. Deixo-vos um exemplo de um texto onde os autores introduzem de forma muito contextualizadora a obra de Howard Hawks "Hatari", pondo-a na linha de outras "odes a África" que colegas clássicos como ...

Música Narrativa - nº2 - Stewart Copeland e Rumble Fish

Cumprindo a sua longa tradição de envolvimento familiar Francis Ford Copolla pediu ao seu filho que lhe recomendasse um artista rock da sua preferência para fazer a banda sonora de Rumble Fish (Juventude Irrequieta, de 1983). O escolhido foi Stewart Copeland, baterista dos Police. Francis queria dar um tom de urgência e claustrofobia ao filme. Queria percursões soltas, tic tac's de relógios...queria vertigem! A mesma que constrange os seus protagonistas Rusty James (Matt Dilon) e Motorcycle Boy (Mickey Rourke). Copeland, rookie nestas andanças, acertou em cheio! O filme é excelente: abstracto e poético! Mas não seria o mesmo sem a sua banda sonora. Mérito para o artista e para o visionário Copolla e seu fantástico golpe de asa. O tema principal é este quasi experimental "Don't Box me In".

Convidado de Honra nº2 - O Panorama do Guionismo e Cinema em Portugal - João Nunes, presidente da APAD

Entrevistei o guionista e actual Presidente da Associação Portuguesa de Argumentistas Portugueses, João Nunes. Falamos do guionismo e cinema portugueses, dos seus (pequenos) sucessos e limitações. Trata-se de um testemunho importante e muito franco de alguém com uma vasta experiência e conhecimento do meio (guionista desde 1998). Como vai o guionismo em Portugal no que à sua evolução técnica diz respeito? Acho que tem vindo a melhorar muito consideravelmente, essencialmente por três razões: em primeiro lugar, porque começa a haver um grupo considerável de profissionais que vivem exclusivamente desse trabalho, sendo pagos (embora não muito bem) para escrever. Isso inevitavelmente conduz a um apuramento técnico. A segunda explicação, quanto a mim, está relacionada com a primeira, e tem a ver com o reconhecimento da importância desse trabalho. Escrever o argumento já não é só uma coisa que os realizadores vão fazendo quando não estão a trabalhar. Cada vez mais os produtores reconhecem a i...

Música Narrativa - nº1 - Neil Young e Dead Man

Seria impossível o Gimmicky passar ao lado da música nos filmes. Procurarei na minha selecção os melhores exemplos de narratividade musical. Aqui fica o primeiro exemplo. Do inqualificável "Dead Man" de Jim Jarmusch chega-nos esta fantástica banda sonora composta e tocada por Neil Young. As citações do filme patentes no vídeo dizem bem da simbiose perfeita entre o ritmo, tom e a música das imagens. Arrastada, austera mas com vida própria! Enjoy!

Blogosfera Cinéfila nº 1 - Grindhouse

Resolvi mergulhar a fundo na blogosfera cinéfila. Tenciono conhecer e apresentar aqui no Gimmicky alguns exemplos de interesse, qualidade e originalidade desse enorme e crescente universo. O primeiro destaque vai para o blog Grindhouse - cinema da meia-noite.(http://grindhousetheater.blogspot.com/). Apesar de não ser particular adepto do género que dá nome ao blog dei por mim a pesquisar atentamente os seus conteúdos: sinal evidente do seu interesse. Os blogs "especializados" como este são envolventes por falarem de um interesse muito particular, de uma paixão do seu criador. Respondendo aos que (como eu) tenham uma visão estereotipada e simplista do género fílmico alguns dos seus textos arrasam as inconsistências estruturais de alguns filmes gore deixando bem vincado que este tipo de objectos não é narrativamente primário, impondo o devido respeito! A génese e evolução sócio-política do horror e exploitation está muito bem documentada em interessantes e aprofundados artigos...