Um documentário é sempre uma leitura emocional e pessoal de um determinado universo e as suas fronteiras são sempre relativas e pessoalmente construídas. Mas pede-se-lhe que seja fecundo no seu olhar para que seja consequente. A caricatural e cansativa incursão que o filme faz pelo culto da igreja Maradoniana casa bem com o tom geral do filme: todo ele é idólatra. Paira sobre o seu objecto de fascínio ao seu sabor, como se suas palavras fossem divinas, sem contraditório nem polémica. O deleite pueril com que documenta o seu ídolo faz também com que o eixo condutor seja cronológica e tematicamente altamente confuso. É com a leitura marxista da nobreza aristocrática dos pobres (na Argentina como nos Balcãs) que Emir se funde com a Diego O Insurrecto: “personagem” criada para este filme: Maradona o defensor da auto-determinação latino-americana (imagine-se!). Ambos excêntricos; dionisíacos (como referiu em Cannes); ambos ricos de espírito. Mas, na realidade, é fastidioso ouvir o festival ...
Blog de Cinema do Realizador João Gomes